A descrença nas instituições, na política e no homem público é um dos problemas que se agravaram com os escândalos do governo Lula. Embora o “voto-protesto” seja um direito do povo e, mais que isso, seja totalmente compreensível esse tipo de atitude em 2006, não podemos deixar de lembrar que os mais prejudicados por ações impensadas seremos nós, o povo.
O que tenho ouvido, e lido, é que, nas próximas eleições, teremos uma renovação no Congresso. Sempre defendi que isso fosse feito, mas confesso que tenho um pouco de medo agora. Se conseguíssemos trocar todos os coronéis, por lutadores de verdade, agradeceria eternamente ao Roberto Jefferson, ao Delúbio e ao Valério. Mas, tenho medo de que os coronéis se mantenham no poder, e que exista uma perseguição a determinados partidos, como o PT por exemplo. É imprescindível que se entenda que não há partidos formados somente por bons ou maus políticos.
Por outro lado, estou confiante nos eleitores brasileiros. Nunca vi tamanho interesse em política como atualmente. As pessoas acordam cedo para ver o noticiário na TV e estarem, assim, informadas quando chegarem ao trabalho ou a escola. Se isso se tornar um hábito que vá além da crise, finalmente teremos um povo consciente e capaz de exercer sua cidadania.
Ainda temos fatores que invalidam nossa democracia, como os baixos níveis de educação da maioria do povo, as diferenças sociais gritantes, regiões com menos eleitores tendo mais representação que outras com número de eleitores muito grande, e muitos outros. Porém, se a elite intelectual exercer seu papel de fiscalizar o que a mídia está levando a público, para que não tenhamos uma manipulação das massas para a eleição que se aproxima, teremos a primeira eleição consciente que tenho notícia neste país.
Já se viu que, para a Rede Globo, a escolha de político do momento já foi feita: ACM Neto. Nem preciso dizer o que penso a respeito dele... mas, tirando minha opinião particular, é fato que sua presença na política tem o objetivo de garantir os interesses da família Magalhães e da elite baiana. É esse tipo de gente que precisamos tirar da vida pública, através do nosso voto. A família Magalhães é só um exemplo, poderia ter citado algum alagoano (preciso dizer o nome?) ou, até mesmo, meu conterrâneo Érico Ribeiro, que nada faz além de defender os interesses da elite latifundiária do Sul do país. Não podemos mais permitir que a elite comande os meios de produção, os meios de comunicação e a política econômica brasileira.
Voltando às instituições, temos que ter em mente os papéis de cada uma. Não adianta cobrarmos da Câmara dos Deputados ou dos Senadores que se prenda Delúbio ou Duda Mendonça, por exemplo. Sabendo o papel de cada instituição e acompanhando o que os políticos estão fazendo, suas opiniões e votos sobre determinados assuntos e projetos, poderemos chegar ao grau de maturidade que se espera de um povo que é uma das maiores democracias do mundo. Só assim, maduros e conscientes, poderemos decidir realmente o que o Estado vai fazer com nosso dinheiro, quais os investimentos, e, até mesmo, quais os sistemas, político e econômico, nos quais queremos viver.
O modelo político que temos hoje é como uma engrenagem, onde cada instituição fiscaliza a outra, e todas elas devem ser fiscalizadas pelo povo. Então, torno a dizer, há que se educar e informar o povo. Está provado que a população tem interesse em saber o que está acontecendo à sua volta e como funcionam o Congresso e os demais órgãos públicos. Esse modelo, democracia representativa, não é o que eu tenho como ideal, mas acredito que possa ser melhorado e sustentado, até que cheguemos a um nível de consciência e igualdade em que o interesse comum seja prioridade. Para isso, não podemos, de maneira nenhuma dar mais nenhum passo para trás. Vamos nos agarrar aos poucos avanços que fizemos. Voltar a dar poder a ACMs, Maluffs e FHCs, que nada mais fazem do que governar para a pequena elite poderosa deste país, é caminhar de volta ao começo da luta. Vamos parar para pensar por que a Reforma Agrária não sai do papel, por que o salário mínimo não é maior que 300,00...
Acompanhemos homens públicos como Paulo Paim e Pedro Simon, e vejamos se não há esperança de melhora para nosso povo.